11 fevereiro, 2008

| Lágrima de Preta |

Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhai-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão

2 comentários:

Zé Carlos disse...

Já dei conta da tua visita e comentário, :-), espero que se repita. Eu vou continuar a passar por cá, até porque gostei bastante deste novo aspecto :-)
O poema foi fácil de encontrar verdade? Simples, mas muito bonito. Pelo menos eu acho :-)
Um abraço e uma boa semana.

Anónimo disse...

poema lindo*