Sinto o que não quero sentir, não sinto o que quero sentir, vejo o que não quero ver, não vejo o que desejo ver, ouço o que não quero ouvir, não ouço o que quero ouvir. O dilema que tem atormentado a minha vida no último ano, como era tão fácil revitalizar a alma quando se regressava à cidade onde se estudava depois de um fim-de-semana bem passado com os 'outros' amigos, que bom que eram os problemas 'fora de lá' que não nos atormentavam a vida, do acordar ao pôr-do-sol. Que bom que era, quando era eu e o que tinha para fazer, ou quando era eu e o que inventava para fazer. Acordando cada dia mais e mais realizado, mais desejoso de olhar o dia bom ou mau, dizer 'olá mundo', saudades de quando uma sensação de desrealização não passava de uma frase, saudades de quando verdadeiramente desrealizado, inconscientemente era feliz. Hoje, a angústia toma posse de quase toda a vida, não só a minha, não me tomo por coitadinho, não me tomem por coitadinho, como se costuma dizer, depois do sofrimento qualquer um é poeta, por isso escrevo em prosa, revoltado, sim, revoltado, porque odeio a ideia do egocentrismo mundial e no entanto não consigo olhar nada mais que o meu interior. Merda, onde foram os meus olhos que materializavam emoções e sentimentos numa simples folha de eucalipto já morta e pisada na estrada por onde caminhava? Merda para todas as sensações a que dou olhos e ouvidos e me deixam apenas a sentir aquilo que não quero sentir no início do texto. Merda de ideia paranóica acerca do pensamento alheio, ninguém consegue ler mentes merda, ninguém, para que sofrer ao tentar perceber se alguém se está a aperceber de alterações de humor tuas. Merda para a bola branca que aparece ao final de um minuto, quando já nem consegues controlar a divagação involuntária como mecanismo de defesa. Porque não consigo passar disto? Será assim tão difícil acordar mais um dia e não pensar que é um dia mais? Será possível não ter questões, e devolverem-me a minha consciência? Será possível reverter um pensamento?
Será que não sou capaz de escrever uma merda de um texto que não tenha uma pergunta.
1 comentário:
como te percebo... mesmo! =)
"Mando para trás das costas todos os momentos de angústia. Chegou a hora da mudança é o presente que me elucida.
Vou-me deixar de nóias, paranóias absurdas, tudo se transforma com o tempo e a minha vida segue as mesmas condutas.
Por momentos adormeço, caio na exaustão, no desassossego, num desconforto angustiante, MEMÓRIAS?! é isto que elas me dão."
É uma luta diária o sentido da existência.
Abraço
Enviar um comentário