16 novembro, 2009

O Portão

Há muito que guardava este espaço em branco para falar de um simples objecto que adoro pela noite ou pelo nascer do sol depois das noites de loucura quando passo por ele. O portão, do lado oposto do muro, na berma da estrada, simples, verde e com ferrugem, tão bonito ao mesmo tempo, estilo colonial e uma pitada de gótico, tão feio de ferro maciço, penso ao olhar para ele, está fechado e não dá acesso a local nenhum, sendo possível passar pelos lados para o campo de terra que lhe compõe as traseiras. Para quê uma coisa enorme e esbelta no nada, tão grande que ninguém repara, porquê naquele local? Porquê as coisas tão belas se deixam assim, abandonadas e a morrer com o passar do tempo? Quem o pôs alí, sentia-se especial por ele ser especial, e agora? Abandonado, permanece alí...a morrer aos poucos, e eu, imune pensador, limito-me a apreciar a sua velhice, sempre na outra berma da estrada, e a agradecer espiritualmente a quem o pôs lá, porque entrou para a minha vida, nunca vou abandonar tal 'coisa', o simples, bonito e feio portão, vou passar por ele e lembrar o que pensei quando permanecia horas a olhar para a sua esbelta postura firme, embora inerte, faz parte de mim, embora verde, está maduro e a envelhecer, mas eu, jamais vou abandonar o que passei alí com ele, e quando caír ou simplesmente o levarem, chorarei porque partiu.

por: Jóni Costa

Sem comentários: