30 janeiro, 2008

A minha aldeia

Antônio Gedeão

Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.

Bate o sol na minha aldeia
com várias inclinações.
Angulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razões.
Que os homens da minha aldeia
são centenas de milhões.

Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desampara,
rumorejante seara
onde se odeia em beleza.

Os homens da minha aldeia
formigam raivosamente
com os pés colados ao chão.
Nessa prisão permanente
cada qual é seu irmão.
Valência de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro
numa inquebrável cadeia.
Longas raízes que imergem,
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia.

2 comentários:

Zé Carlos disse...

Ola, cheguei ao teu blog vindo do da Sofia, já vi algumas coisas, mas este poema chamou-me bastante atenção.
Rómulo de Carvalho, mais conhecido por António Gedeão, foi muito mais que um poeta, foi principalmente professor e dos bons, um verdadeiro educador. Tem alguns texto/poemas brilhantes, como este que aqui tens, mas o meu preferido é outro : lágrima de preta, não sei por links aqui nos comentários, mas se procurares encontras facilmente na Internet e penso que vais gostar, caso não conheças já :)
Bom, desculpa lá o "mega-texto" mas é defeito meu, "falo" muito :-)
Ah, este poema chamou-me atenção, exactamente porque normalmente as pessoas só conhecem a pedra filosofal. Abraço e uma excelente semana.

Anónimo disse...

quem mostrou, quem mostrou?! xD texto bonito nao é?*